Meios
Ando meio sem rumo e meio sem assunto. Meio com frio, meio com sono e meio irritada. Meio cansada e tão meio sem nada que meio sem motivo fico meio amuada. E meio rimando, meio contrariada, ando meio em primeira e meio em marcha-ré.
Ando meio ao meio e meio sem meios. Meu copo, se andasse, andaria meio cheio, meio vazio, meio quebrado. Ando tão meio a meio que vejo lá fora um meio inverno, meio verão. É esse meio sol, que meio que ilumina, mas faz meia sombra no meio da rua, mesmo quando meio que chove. E, no meio de tudo isso, até minha pizza é meia toscana, meia margherita.
Ando meio a pé, meio de ônibus, meio perdida, no meio da rua. Danço em meia-ponta e toco um piano meia-cauda, sempre meio sorrindo e meio chorando. Meio feliz, meio deslumbrada, meio tudo, meio nada.
Tão meio pelo meio, que me contento com meio texto, cheio de meias palavras.

Depois de tanto tempo, que não teve nada de meio,fizestes um texto que, pode ser meio mas, é cheio de graça.Estava com saudades de teus textos.
Comment by Cleusa — October 28, 2007 @ 9:00 pm
Meio sem querer, cliquei no seu blog e fiquei inteiramente feliz com seu texto meio rimado. Mas para não contrariar, a nota seria nove e meio…
Comment by Celso Lima — November 7, 2007 @ 9:15 pm
Desculpe a intromissão, mas lendo um dos muitos textos de baixo conteúdo na internet, fui remetido a seu blog. Busque por “quarta pessoa” nesta página http://editordouoltabloide.blog.uol.com.br/arch2007-10-01_2007-10-31.html#2007_10-17_17_20_53-8163192-0
Tenha uma boa vida.
Comment by Moço — November 26, 2007 @ 7:00 pm
Sou seu admirador… seu talento, presença e força revela o quanto és necessária à minha metade poética…
Comment by Carlinhos — December 17, 2007 @ 10:09 pm